#Não É Bem Assim: Avalanche de pólen toma a Geórgia, mas foto usada em publicação mostra outro estado americano
03/04/2025
(Foto: Reprodução) Publicação na rede social noticia corretamente o recorde do nível de pólen no estado americano da Geórgia, mas utiliza uma foto da Carolina do Norte. Estado americano da Geórgia enfrenta níveis de pólen, mas imagem usada em publicação é da Carolina do Norte
g1
Circula nas redes sociais uma imagem de uma nuvem de pólem amarelada e esverdeada que teria tomado o céu no estado americano da Geórgia. #NÃO É BEM ASSIM.
selo não é bem assim
arte
🛑 Como é a publicação?
Postada em 29 de março de 2025 no X, a publicação foi mais de 25 milhões de vezes e tem uma foto com um céu tomado por uma nuvem amarela esverdeada, formada pelo pólen que é expelido pelas plantas.
A legenda diz: "O nível de pólen de hoje (14.801) é o maior da história da Georgia".
⚠️ Por que não é bem assim?
A Georgia, estado sulista dos Estados Unidos, vem registrando níveis muito elevados de pólen e atingiu, em 30 de março de 2025 , o recorde histórico de 14.801 grãos de pólen por metro cúbico (m³) de ar. O monitoramento do material é feito por canais meteorológicos, como o Weather Channel (da NBCUniversal) e o centro médico Atlanta Asthma & Allergy.
Apesar de noticiar corretamente o fato na legenda, o post usa uma fotografia que não retrata nenhuma região da Georgia: trata-se, na verdade, de um registro de Durhan, um município do estado da Carolina do Norte, que também sofre com o excesso sazonal de pólen no ar. A foto imagem foi registrada com auxílio de um drone pelo fotógrafo Jeremy Gilchrist em 2019 e pode ser encontrada na conta pessoal dele no Instagram.
🌸 Qual a explicação para o fenômeno?
O Fato ou Fake consultou José Rubens Pirani, professor do departamento de Botânica do Instituto de Biologia da Universidade de São Paulo (USP), que explicou as bases do fenômeno observado na imagem em três principais pontos:
A nuvem de pólen – Existe um grupo de plantas conhecidas como anemófilas, que usam o vento para levar os grãos de pólen produzidos nas estruturas masculinas até as estruturas femininas da mesma espécie, propiciando a reprodução. Essas plantas emitem pólen em grandes quantidades para aumentar a chance da fecundação cruzada, formando, assim, "nuvens amarelas" no ar, sempre no início da primavera. A dispersão pelo vento é mais eficiente em atmosfera seca, sem nebulosidade ou chuva -- condições meteorológicas que vêm sendo observadas nos estados sulistas americanos atualmente.
Plantas que produzem mais pólen – Pinheiros, castanheiras, carvalhos, faias (casos de árvores) e gramíneas são campeãs na produção de pólen. Segundo Pirani, elas são muito mais comuns no Hemisfério Norte, onde formam populações numerosas.
Haja espirro – O pólen de algumas plantas é alergênico – e mesmo em pequenas quantidades pode causar reações fortes em pessoas alérgicas. Mas, no caso de quantidades imensas, mesmo o pólem que não é alergênico pode provocar mal-estar em pessoas suscetíveis. O professor também cita a intensa florada de espécies de gramíneas usadas na produção do feno no Hemisfério Norte como um fator de provocação da hay-fever, ou febre-do-feno, que nada mais é que uma rinite alérgica sazonal.
🍂 O que é 'sexismo botânico'?
Na sessão de comentários da publicação viral, muitos usuários creditam o fenômeno à preferência do paisagismo das cidades americanas por plantas machos. A escolha se justificaria pelo fato de as fêmeas gerarem sementes e frutos e, consequentemente, mais sujeira nas ruas.
Mas, segundo Pirani, essa tese se sustenta, pois pinheiros, carvalhos e outras plantas da região são hermafroditas (têm as duas estrutura reprodutivas, tanto macho quanto fêma).
Além disso, segundo um estudo da Universidade da Atlanta, apenas 5% das espécies de plantas no mundo são dioicas (com separação de indivíduos machos e indivíduos fêmas).
Nos Estados Unidos, o rumor do sexismo botânico ganhou tração a partir de uma interpretação equivocada de uma antiga resolução do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Em1949, a pasta recomendou que fossem plantados algodões machos nas ruas, porque as fêmeas geravam sementes que podiam entupir tubulações e causar outros problemas urbanísticos. Embora a diretriz cite exclusivamente o algodão, sua circulação nas redes aponta como se ela valesse para todas as espécies.
Vídeo de rede social mostra grande quantidade de pólen escondida em árvore
g1
Estado americano da Georgia enfrenta níveis de pólen, mas imagem usada em publicação é da Carolina do Norte
g1
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